Taxas antidumping nas importações lácteas preocupa setor

Terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Compartilhe

Fonte : GuiaLat

A preocupação do mercado brasileiro é com os europeus, que têm 250 mil toneladas de leite em pó estocadas e não têm para quem comercializar.

Responsive image

O setor leiteiro está aguardando o governo ter uma definição sobre as tarifas antidumping contra a importação de lácteos da União Europeia e da Nova Zelândia. A decisão deve ser tomada até o dia 06/02.
 
Segundo o Presidente da Comissão Nacional de Pecuária e leite da CNA, Rodrigo Alvim, essa situação era para estar resolvida em maio do ano passado, quando o pedido foi protocolado no ministério do governo de Michel Temer. “O ministério solicitou a prorrogação do processo, mais documentos e mais argumentos em que a CNA prontamente atendeu. Porém, nós estamos muito apreensivos”, comenta.
 
A preocupação do mercado brasileiro é com os europeus, que têm 250 mil toneladas de leite em pó estocadas e não têm para quem comercializar. “O grande problema da Europa é que ela subsidia violentamente a sua produção e exportação. Concorrer com o leite da Europa significa competir com o tesouro da comunidade europeia”, afirma.
 
Atualmente, a tarifa antidumping é de 3,9% para a Nova Zelândia e 14,8% para a União Europeia. Caso as tarifas não venham ser mantidas, o mercado brasileiro corre o risco de ter um excesso do produto e com isso, a derrubada dos preços internos. 
 
As medidas antidumping da União Europeia foram aplicadas em fevereiro de 2001 e na época, se verificou também antidumping com relação a países como Argentina, Nova Zelândia, Uruguai e Austrália. “No caso da Austrália, como as importações eram muito pequenas, não foi por dano casual. Já com a Argentina, ficou estabelecido que o país não poderia exportar a um preço inferior ao da Nova Zelândia”, relata.
 
Na época que o Brasil adotou as medidas antidumping ele não era autossuficiente na produção de leite. “É importante ressaltar que o país importava pois não tinha condições de concorrer com o produto subsidiado da Europa. Nos momentos que foram aplicadas as tarifas, o Brasil cresceu em dez anos mais de 10 bilhões em litros de leite por ano”, destaca.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *