Indústria de Alimentos em tempos de Covid: Força e Aprendizado

Quarta-feira, 12 de agosto de 2020

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Nada é mais necessária para a sobrevivência humana do que a alimentação. No auge do isolamento social , quando a OMS determina que para o combate da pandemia do coronavirus apenas os serviços essenciais continuem exercendo suas atividades, a indústria alimentícia cumpriu muito bem seu papel. Enquanto a ONU e a OMC alertavam para um risco de escassez de alimentos, especialistas brasileiros informavam que as nossas prateleiras do varejo estavam garantidas.  E a promessa se cumpriu.

As provas irrefutáveis vieram agora com a divulgação dos balanços do segundo trimestre dos grandes varejistas como é o caso do Carrefour Brasil que viu suas vendas e lucros disparem e com a força do Agronegócio, o único setor que deve passar imune por esta crise, hoje, responsável por de 25% do Produto Interno Bruto.

Varejo alimentar: uma verdadeira mina de ouro.

No Carrefour, as vendas online de alimentos saltaram 377% entre abril e junho, enquanto os não-alimentos cresceram 65%, o valor de faturamento só neste período chegou a R$ 918 milhões, os resultados apresentados fizeram as ações da companhia dispararem. De acordo com o vice-presidente de Finanças da empresa, Sébastien Durchon, as vendas online do grupo alcançaram em três meses o mesmo resultado dos últimos três anos.

A Ágora Investimentos, também divulgou um estudo como 11 indústrias vêm se comportando durante a pandemia e com base nos dados da Cielo, líder no mercado de processamento de meios de pagamento no Brasil, concluiu que o setor de supermercados e proteínas são os que mais apontam para crescimento considerável nas vendas. De acordo com a pesquisa, estes setores tiveram maior facilidade para repasse de preços, manutenção de margens e adaptação na demanda.

De olho no futuro: A força do Agronegócio 

No último dia 03, aconteceu o Congresso Brasileiro do Agronegócio e o destaque foi para a produção sustentável, onde a Ministra da Agricultura esteve presente e falou sobre a importância do setor para economia do Brasil. O Brasil é o único país do mundo que consegue produzir e preservar. “Nossa pecuária vem crescendo muito sem desmatar”, disse.

A presidente do Conselho Diretor da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), Grazielle Parenti, também participou do evento e quando questionada sobre como tem enxergado as relações das empresas com o tema sustentabilidade e a preservação do meio ambiente, ela afirmou que a indústria de alimentos no Brasil tem a responsabilidade de buscar essa conversa não só com os consumidores, mas também com os investidores, que cada vez mais exigem políticas transparentes de sustentabilidade.

“Os consumidores querem saber o que as empresas estão fazendo para a proteção do meio ambiente e a nossa reputação está ligada a isso, não só com os consumidores e opinião pública, mas com os investidores também. Nossos produtos estão em mais de 180 países, não é só o brasileiro que conta com a agroindústria, mas o mundo conta com a produção de alimentos do Brasil”, disse a executiva.

Já o presidente do Banco Central, Roberto Campo Neto, destacou a importância do agro para a economia brasileira. “Mesmo em tempos difíceis o agronegócio continuou a produzir ajudando a nossa economia, evitando uma queda maior no PIB brasileiro e contribuindo para as nossas contas externas”.

A lição que se pode tirar de tudo isso é que a indústria de alimentos está forte, vai crescer muito mais, mas que tem que fazer a lição de casa e estar ligada tanto nos grandes investidores como no consumidor final. A origem dos alimentos e a responsabilidade social das empresas serão cobradas mais do que nunca. Os novos hábitos e a cobrança por um mundo melhor, adquiridos na quarentena, em relação ao consumo das famílias e a necessidade de uma mudança global,  vieram para ficar.

Jussara Souza

Diretora Executiva Grupo Mais Food


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