Estudos científicos apontam que vacas com gene A2A2 produzem leite capaz de evitar desconforto durante a digestão

Sexta-feira, 9 de novembro de 2018

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 No Brasil, 53 milhões de pessoas dizem ter problemas de digestão com leite, mas 88,2% jamais recebeu um diagnóstico médico adequado. País já tem rebanho capaz de produzir em escala leite que oferece melhor digestibilidade

 Realizada pela Lincoln University, Nova Zelândia, uma pesquisa científica mostrou que, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, é possível beber leite sem sentir nenhum desconforto digestivo como náuseas, dor de estômago ou inchaço abdominal. Segundo o estudo, leite e produtos lácteos derivados de vacas com gene A2A2 estão livres da beta-caseína A1, responsável por esses sintomas. A pesquisa apontou que uma mutação genética ocorreu entre cinco e dez mil anos atrás e “inseriu” o gene A1A1 nas vacas europeias responsáveis pela maior parte da produção de leite no Brasil.

“Comumente, esses sintomas podem ser confundidos com a intolerância à lactose, pois são bastante semelhantes. E dessa forma, os pacientes são levados ao não consumo de leite e derivados, ou até são medicados para esse tipo de patologia, quando na verdade, o que gera o desconforto é a proteína”, explica Andréa Esquivel, nutricionista clínica, consultora especializada em Nutrição & Qualidade de Vida, Alimentos Funcionais, Educação Nutricional e Gastronomia. Andréa explica que além da pesquisa na Nova Zelândia, na China, estudos mostram que o consumo do leite contendo a beta-caseína A1 pode promover inflamação intestinal e agravar os sintomas gastrointestinais agudos da intolerância ao leite.

Uma opção de produtos no Brasil

Os consumidores brasileiros já têm uma opção de leite e derivados provenientes de rebanho A2A2. A Letti é a primeira marca de leite fresco a produzir em escala a oferecer o leite, iogurtes, queijo, coalhada e creme de leite fresco proveniente de vacas desta genotipia.

O processo de seleção do gado começou a há cerca de dois anos, quando a Fazenda Agrindus e a Letti investiram cerca de R$ 1,5 milhão. Esse processo, permite fazer o cruzamento correto, ou mesmo a fertilização in vitro, para que o rebanho lactante seja, até 2021, 100% composto por vacas com o gene A2A2.

Atualmente, 85% das bezerras e 100% dos touros são A2A2 e para manter a certificação são investidos cerca de R$ 200 mil por ano. Hoje, 30% da produção de leite – o equivalente a 25 mil litros – são oriundos do rebanho A2 e, em no máximo três anos, serão 50 mil litros diários.

Os produtos Letti são comercializados pelo e-commerce maniadeleite.com.br para a cidade de São Paulo e em alguns varejistas no Estado. Em médio prazo, o objetivo é ampliar a abrangência para todo o país.

Sobre a Letti – A Letti foi lançada em 2007 pela segunda geração da família Jank, proprietária desde 1945 da Fazenda Agrindus, reconhecida como uma empresa de agropecuária familiar. Agora, o processo de renovação da marca caberá também à terceira geração da família. A marca produz leite tipo A, queijo frescal, creme de leite fresco pasteurizado, iogurtes e coalhadas, entre outros produtos.

 Sobre a Agrindus – Dona do maior rebanho de vaca holandesa pura de origem registrado no Brasil, a Agrindus é uma das maiores referências em seleção genética do país. A fazenda tem hoje 1.700 vacas holandesas em fase de lactação, cuja produtividade é de 60 mil litros diários – o equivalente a 1,8 milhão ao mês ou 21,9 milhões ao ano, absolutamente naturais e muito acima da média nacional. O rebanho leiteiro vem sendo selecionado há 70 anos e as vacas são individualmente rastreadas, o que garante a origem e a qualidade dos produtos.

Sobre Andréa Esquivel – Nutricionista com 32 anos de experiência, formada pela Universidade de Mogi das Cruzes, pós-graduada em Marketing pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado. Especializada em Gastronomia e Gastrenterologia. Nutricionista da clínica CEDIG – diagnóstico e tratamento em gastrenterologia a mais de 18 anos. Diretora da Gastronomia Nutritiva, consultoria em gastronomia, nutrição e marketing, com mais de 22 anos de atuação. Cofundadora da Confraria do Bem Comer Porto Rubaiyat. Professora de nutrição em cursos de pós-graduação de diversas universidades no país. Professora convidada do SENAC para cursos de Gastronomia e Nutrição. Palestrante nacional e internacional. Colaboradora da Associação Paulista de Nutrição, Conselho Regional de Nutricionistas, do Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo e da Associação Brasileira de Profissionais de Cozinha. Coautora de 6 livros técnicos na área de nutrição. Coautora do capítulo de fitoterapia no Tratado de Nutrição Clínica 4ª edição, autora de apostilas técnicas para o PRONATEC. Ex-coordenadora pedagógica do curso de pós-graduação em fitoterapia do Ganep Nutrição Humana. Coordenadora do curso de pós-graduação em fitoterapia EAD Plus. Consultora técnica da Casa Santa Luzia, Laboratório Baldacci, Laboratório Takeda e Estar Bem Alimentos.


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